quarta-feira, 25 de maio de 2011

O curioso caso de Phineas Gage

Fotografia de Phineas Gage junto com
a barra que atravessou seu crânio
Um 13 de setembro de 1848, como quase todo dia, o jovem Phineas Gage, de 25 anos, saiu de casa para o trabalho. 
Por suas virtudes pessoais, seu senso de responsabilidade, liderança, eficiência e companheirismo, tinha sido nomeado capataz de um grupo de trabalhadores responsáveis pela construção da via férrea. 

A missão do grupo, explodir grandes rochas para permitir assim a colocação dos trilhos. Como de rotina, buracos de uns 30 centímetros eram feitos na pedra e posteriormente preenchidos com pólvora. Para empurrar a pólvora, Phineas utilizava uma barra de ferro de mais de um metro de comprimento e quase 3 centímetros de diâmetro. Mas para seu azar, nesse dia ao empurrar a barra de ferro no interior do orifício uma faísca detonou a pólvora. A barra, lançada como um projétil, atravessou a cabeça de Phineas. O ponto de impacto foi na bochecha, logo abaixo do osso zigomático. A barra perfurou depois sua órbita empurrando o globo ocular para fora. Destruindo parte do cérebro, finalmente saiu pela região superior do crânio, trás provocar um orifício de quase seis centímetros de diâmetro entre os ossos parietais e frontal. A barra foi parar a uns 20 metros, junto com fragmentos de osso e massa encefálica.


Dramatização e comentários sobre o acidente de Phineas Gage


Vídeo postado pelo nosso colega da UNICAMP Renato Sabbatini




Incrivelmente, Phineas não morreu. Embora desmaiasse pelo impacto, minutos depois estava em pé conversando com os colegas. Levado ao médico da pequena cidade onde vivia, este tentou recolocar os fragmentos de osso em seu lugar e suturou da melhor forma possível o couro cabeludo. Alguns dias depois, a enorme ferida infeccionou e Phineas entrou em coma. Esperando pelo pior, sua família já preparava o enterro, porém, Gage se recuperou, e para o mês de janeiro, estava levando uma vida normal.

Mas já não era Phineas Gage.

A descrição do acidente e sua vida posterior constam de relatos apresentados por seus médicos. De acordo com um deles, Phineas conservou todas sua faculdades intelectuais. Salvo a perda do olho e a cicatriz, nada parecia indicar a gravidade do seu acidente. Sem problemas de memória, os cinco sentidos perfeitos, movimentos em ordem, conversa fluente, inteligência normal... Mas foi sua esposa e outra pessoas próximas que notaram alterações dramáticas em sua personalidade. Seu médico descreve,

“Seus chefes, que o consideravam o trabalhador mais eficiente e capaz antes do acidente, disseram que as mudanças que tinha sofrido eram tão marcantes que não poderiam lhe devolver seu antigo emprego. Era agora instável e irreverente, capaz das condutas e blasfêmias mais grosseiras, mostrando escasso respeito pelos sus semelhantes, impaciente, incapaz de escutar qualquer conselho que se opusesse aos seus desejos. Também se mostrava insistentemente obstinado, teimoso e ao mesmo tempo vacilante, imerso em muitos planos para o futuro mas, sendo incapaz de continuar uma tarefa demasiado longa, mudava-os constantemente. Em virtude destas mudanças, seus amigos e familiares concluíram que Gage “não era mais Gage”.”

Sem emprego, esposa ou amigos, Phineas decidiu ganhar dinheiro com sua desgraça, exibindo-se com sua barra de ferro em cidades dos Estados Unidos e -provavelmente- Europa. Posteriormente trabalhou como instrutor e condutor de carruagens, mudando para o Chile e lá vivendo por sete anos. Com problemas de saúde, voltou à casa materna nos Estados Unidos, onde morreu no dia 20 de maio de 1860, treze anos após o acidente, devido a complicações provocadas por ataques epilépticos.

Em 1867, o corpo de Gage foi exumado e o crânio junto com a barra de ferro são exibidos hoje em uma sala especial no museu da Faculdade de Medicina de Harvard.

Crânio e barra de ferro de Phineas, no museu da Faculdade de Medicina de Harvard


Em 1994, um grupo de pesquisadores liderados pelo português Antônio Damasio, utilizando técnicas de neuro-imagem reconstruíram o crânio e o trajeto da barra de ferro, de forma a descobrir quais áreas do cérebro tinham sido atingidas. Como já se suspeitava, o acidente provocou a destruição de parte do lobo frontal esquerdo, embora a extensão total da lesão não pudesse ser definida.

À esquerda, reconstrução computacional do trajeto da barra de ferro

Mais de 150 anos após o acidente, a neurociência tem uma explicação aproximada sobre o que aconteceu com Phineas. Sabemos hoje que a região mais anterior do cérebro é responsável pela nossa capacidade de planejamento, a fundamental capacidade de prever o que vai acontecer caso façamos isto ou aquilo. Assim, nos ajuda a tomar a decisão correta, às vezes até de forma não consciente. 
Como consequência dessa capacidade de previsão, participa na inibição de respostas inadequadas, o que permite que nosso comportamento seja o mais apropriado para cada situação.
Phineas Gage foi emblemático para a ciência porque com ele a velha separação “corpo e alma” tal qual descrita por Descartes começava a ruir. 
O que nos torna o que somos parece não flutuar no ar. Pode ser destruído junto com nossos lobos frontais.

O curioso caso de Phineas Gage pode não ser como “O curioso caso de Benjamin Button”, mas nos mostra que quando nos permitimos admirar todo o drama e o deslumbramento da vida através dos olhos perscrutadores de ciência, o panorama que se apresenta pode ser tão interessante -e certamente mais real- quanto a mais premiada história de Hollywood.


Para saber mais:
O Erro de Descartes, Antônio Damásio, Companhia das Letras, 1996.
Damásio H. e cols., 1994, Science, 264:1102-1105.

30 comentários:

  1. PoxaPhineas,incrível, que história mais crível,não acredito em nada más !Tô atrás desse livro.
    Muito legal esse blog.

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  2. Obrigado WC. O livro do Damásio vale muito a pena. Na mesma linha te recomendo Fantasmas no cérebro, de de V. S.RAMACHANDRAN,
    Abraço

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  3. Oi Roelf... olha só o viés com que vi a leitura de seu ótimo texto: as pessoas podem viver de forma plena sem partes do cérebro, logo... apressada a decisão de condenar os anencefálicos à morte...Grande abraço,
    Leticia

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  4. Oi Lê, tudo bem? Obrigado pela visita. Sem partes do cérebro é uma coisa (e isso "de forma plena", depende), sem cérebro, outra.
    Beijos a todos aí.

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  5. Ele não viveu bem apenas c a perda de uma pequena parte do cérebro, imagina a situação de um anencéfalo.

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  6. Olá Roelf, gostaria de fazer algumas considerações:

    "Phineas Gage foi emblemático para a ciência porque com ele a velha separação “corpo e alma” tal qual descrita por Descartes começava a ruir."

    Essa afirmação é sofística, pois isso não implica, de maneira estritamente lógica, dizer que a Alma não exista, mas sim que pode acontecer que, por uma lesão, o cérebro não consiga decodificar de alguma forma os "comandos" conscientes ou inconscientes da Alma....como um controle remoto danificado que faz o oposto do que o seu operador manda...todo aquele que deseja conhecer a verdade seja ela qual for, deve considerar todos os pontos de vista.....todas as possibilidades...de maneira racional há 50% de chance de alma existir e há 50% de não existir....esse fato pode ser interpretado, por quem tem uma concepção materialista do Universo, como tendo "provado" que a alma não existe....mas há inúmeros outros casos pesquisados por homens ilustre da ciência que indicam o contrário....pq não citá-los também ? Experiências de Quase morte, veja os casos, se olhar com calma poderá ver que eles, ao menos, nos fazem pensar...como explicar, com a hipótese cerebral da origem da consciência, que uma mulher, cega há 5 anos, passe por uma E.Q.M e consiga ver, de um canto da sala de cirurgia(ela estava cega há 5 anos) tudo o que houve na sala,detalhando tudo para o médico depois, inclusive uma caneta do médico(detalhando-a) que caiu do seu bolso durante a cirurgia ? O próprio médico não soube como explicar isso....considere as pesquisas de William Crookes sobre comunicações com Espíritos(os fatos apresentados são bem sérios), o mesmo Crookes descobridor do Tálio não pode ser separado do Crookes pesquisador da vida após a morte...veja Oliver Lodge(físico)....Veja Augusto DeMorgan que enunciou os Teoremas DeMorgan da Lógica Matemática, também pesquisa sobre isso....veja Alfred Russel Wallace(Biólogo que forçou Darwin a apressar suas pesquisas pois se não o fizesse, perderia para ele o título de pai da Teoria Evolucionista)....enfim são muitos os pesquisadores......Não se trata aqui de Religião ou de Escolas Filosóficas brigando entre si, mas de ciência, cujo o objetivo principal é descobrir as causas e o funcionamento dos fenômenos...enquanto alguns fogem desses fenômenos, apenas por concepções filosóficas, o verdadeiro objetivo da ciência fica esquecido.....tenhamos coragem de pesquisar isso e veremos que várias coisas podem nos deixar surpresos.

    Um abraço,

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    1. Amigo Anônimo. Você cita autores do século 19 que trabalharam com metodologias hoje inaceitáveis. Claro que os experimentos de Crookes nunca foram repetidos em condições científicas rigorosas. Cite algum autor nos últimos 30 anos que tenha publicado um artigo científico em revista indexada tratando sobre o assunto "comunicação com os espíritos". Cite algum artigo na área de neurociência cognitiva que postule que a mente não seja originada pela atividade cerebral. Cite algum artigo publicado em revista científica séria que não veja os fenômenos de quase morte como atividades anômalas do cérebro.
      A discussão científica séria só pode ser estabelecida mediante estudos que possam ser reproduzidos de forma independente. Onde está o artigo científico que descreve o caso dessa senhora cega? Gostaria lé-lo.
      Abraço e obrigado pela visita.

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    2. Isso não importa, amigo. Vá viver, vá amar! Isso não adianta de nada se não vivermos o erro ordinariamente. Perceba como falas de "ciência". Você fala disto como se fosse um saber pretensamente autônomo, neutro e eficaz: um método objetivo para descartar conhecimentos "verdadeiros" e "falsos": bobagem. Hoje é cediço que o método científico é tão mítico quanto um Dionísio embriagado. Você citou tantos autores, vá atrás Heisenberg, Gödel, Dascal, Feyeraband entre tantos outros que sabem da precariedade de qualquer forma de conhecimento humano, e, consequentemente, o quanto somos extraordinários pelo simples fato de existirmos, independentemente de quaisquer verdades (dogmáticas). Viva como se estivesse morrendo a cada dia e brilhe mais a cada vez que a vida lhe mostrar que está errado: vale a pena!

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    3. oi Anônimo 2, não sei se vc está comentando o artigo (acho que não)ou algum dos comentários postados. Por via das dúvidas, lembra que, como diria Sagan, a ciência, como forma de conhecimento, está longe de ser perfeita. É a penas a melhor que temos. Vc sabe disso quando prefere um antibiótico a um passe quando está com uma faringite brava, ou quando quer prevenir a paralisia infantil do teu filho. Acho bem hipócrita descer a lenha na ciência e usufruir de todos os benefícios que ela proporcionou nos últimos 50 anos.

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    4. Não falei sobre o artigo. Não desço a lenha na ciência. Desço a lenha a qualquer pretensa forma de conhecimento objetivo. A ciência, como se diz, "vai muito bem, obrigado!" com suas melancias quadradas e seus smatphones. Falo para quem fundamenta isso intelectualmente como único conhecimento objetivo. Usufruo sim do antibiótico, como usufruo de um despacho de umbanda e não percebo diferença entre eles.

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    5. Então, se não percebe a diferença objetiva entre as diversas formas de conhecimento, não use antibióticos e tente usar o despacho de umbanda para curar uma pneumonia. Depois me conta a diferença (objetiva).

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    6. Qual problema em usar antibiótico? Se entendesse o despacho de encruzilhada com lugar de protagonismo estaria incorrendo no erro que cientistas e céticos cometem. Professor, deixe-me lhe perguntar algo: o Sr. realmente acredita que a ciência - essa materialistas, logicista, conceituante e de base empírica - é um critério de descarte de conhecimentos verdadeiros e falsos?

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    7. Os adjetivos que vc está colocando na ciência, são teus, nascem do teu preconceito, não vou discutir. Eu não preciso acreditar. A ciência funciona dentro daquilo que se propõe. Se vc quer construir um computador utilizando conhecimento científico, ele vai computar. Se vc planeja colocar um satélite ao redor de Marte usando a ciência , ele vai orbitar. Se vc tratar uma hérnia de disco utilizando o conhecimento científico, vc terá grandes chances de cura. Tenta resolver esses problemas utilizando outras formas de conhecimento. Tenta colocar esse satélite utilizando a astrologia. Tenta curar a hérnia de disco mediante religião. Tenta construir um computador com sofismas filosóficos. Depois faz uma comparação entre os resultados. Qual tem um índice de acerto maior? Não preciso acreditar. Como diz o Dawkins, It works, bitches!!

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    8. E olha que não estou descartando outras formas de conhecimento. Por exemplo, acho antropologicamente importante a concepção cosmogônica dos Yanomami sobre a origem do universo. Ela é fundamental para explicar sua visão de mundo e entender os conflitos que eles têm que enfrentar nos dias de hoje. Mas uma coisa é que essa visão cosmogônica seja importante, outra é que esteja correta. São coisas diferentes.

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    9. E acho que seria mais correto da tua parte se identificar. Não gosto debater com Anônimos.

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    10. Um saber de ordem teleológica é óbvio que vai desvendar problemas que se voltem ao seu mister. Ou a gente pode imaginar um Babalorixá querendo fazer uma laranja nascer sem caroço? As coisas que ele faz se voltam àquilo que pretende, assim como qualquer outra forma de conhecimento, inclusive a ciência, pretende desvendar aquilo que se propõe a desvendar.

      Então se a visão Yanomami não é a correta, qual seria "a visão correta"? Você faz uma distinção entre "visão importante" e "visão correta", você pode nos explicar melhor sobre? "Índice de acerto maior"?

      Me desculpe não ter se identificado antes, não tenho conta no Google e nas outras opções.

      Ricardo Almeida - coloral@rock.com

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    11. Ricardo, gostei do domínio do teu e-mail.
      A diferença entre visão importante e visão correta é bastante semelhante à descrita por Alan Sokal:
      Alan Sokal: "Para mim, assim como para a maioria dos filósofos, a palavra "conhecimento" significa "crença verdadeira justificada", ou algo similar. "Justificada" quer dizer que você tem boas razões para crer que é verdadeira, que não é uma casualidade. Conhecimento é, portanto, diferente de crença, porque a proposição deve ser verdadeira e você deve ter boas razões para crer que é verdadeira. É preciso não obliterar essa distinção. Um relativista extremo poderia opinar que as palavras "verdade" e "justificada" não têm sentido objetivo, independente de uma cultura em questão, mas teria que justificar essa opinião. Simplesmente confundir crença com crença verdadeira justificada, sem apresentar nenhum raciocínio, é um truque lingüístico: equivale a aplicar a palavra "conhecimento" a algo que na realidade não é mais que crença.

      Outra confusão é com a palavra "fato". Para mim um fato é algo que se passa no mundo, fora de nós. Outra coisa é o que sei do fato, ou o que creio a propósito do fato. Vê-se na literatura frases ambíguas como "a construção social dos fatos". Os fatos, pelo menos os naturais, não são construídos socialmente, mas sim, nossas crenças a propósito desses fatos é que são construídas socialmente. Isto me parece crucial distinguir..."

      A entrevista na íntegra pode te interessar e está aqui http://www.physics.nyu.edu/sokal/entrevista_USP.html

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    12. "procure alguma revista séria que tenha publicado sobre comunicação com os espíritos nos últimos trinta anos". Dentro da 'ciência' cartesiana, linear, cuja metodologia só atua no mundo tangível, vc não vai encontrar nada.
      Faz uma pesquisa sobre Psicologia Transpessoal e Neurociêcias (Ken WILBER, Pierre WEIL, Stanislav GROFF, Brian Weiss, no Braisl, Dr. Sérgio Felipe USP, Dr. Noubor Facure, UNICAMP), apresento os mais famosos, pois existem muitos outros pesquisadores.
      Pronto, seu pedido é uma ordem, depois posso enviar mais dados, caso queiras.
      forte abraço

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    13. achar que a ciência é "cartesiana" é não entender Descartes nem/ ou ciência contemporânea. Tem até livro, "O erro de Descartes". Sobre ciência séria me refiro a experimentos que possam ser repetidos independentemente do background cultural e crenças pessoais dos autores.
      Outro abraço e obrigado pela visita!!

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    14. Prezado Roelf, vejo que você é realmente um crente (gnóstico).

      Partes do pressuposto que o "método científico" é a-cultural. Você acha mesmo que o método científico proposto por Galileu era o mesmo proposto por Aristóteles no que tange ao movimento dos corpos? Como aquelas duas formas de conceber um fenômeno era a mesa? (Eu realmente quero saber isso.) Saiba que ambos acreditavam que estavam lidando com métodos não empíricos, como o descrito por você quando menciona "experimentos que possam ser repetidos independentemente do background cultural e crenças pessoais dos autores". Ciência é (uma) teoria do conhecimento humana, nobre colega, e, quando se trata da lida humana, não há como vislumbrar algo "não humano", algo inerte, linear e onipresente, como perquirem e pressupõem monoteístas e cientistas como você. E o mais paradoxal - para não dizer "simplório" - é que vocês pensam figurar em lugares diferentes na busca por verdade(s): ambos pressupõem algo sobre-natural (a-cultural) para justificar seus dogmas.

      Sobre Alan Sokal: eu tenho mais "boas razões" para acreditar que o triângulo é quadrado - apofântica e empiricamente falando -, do que acreditar no método científico.

      Ricardo Almeida

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    15. Ricardo. Eu suspeito que tuas dúvidas filosóficas foram bem abordadas pelo texto de Sokal. Mas não tinha a esperança que ele fosse te convencer. Não precisa. Estamos aqui vivos e proseando por causa da ciência e seu método. O antibiótico prescinde do nosso palavreado rebuscado. Como diria o Dawkins:
      It works, bitches!!

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    16. Nisso você está coberto de razão. Nada obstante à falta de sustentabilidade racional do método científico enquanto sua objetividade, ele funciona. Também não sei até que ponto seria interessante abrir essa caixa de pandora ao esclarecimento filosófico, por assim dizer. Se queremos continuar trabalhando sem pensar, que assim façamos, e que ao menos observemos algo da ética. Você está certo... É como diz Humberto Eco: "Nem todas as verdades são para todos os ouvidos".

      Ricardo Almeida

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    17. Não acredito que falte sustentabilidade racional ao método científico. Ele pode ser limitado, já que não é pretensioso. Os filósofos que não dão as costas ao enorme impacto que a ciência e seu método provocaram em nossa compreensão do universo que vivemos, do cérebro que produz nossa mente e nossa consciência, não tem tido reservas em abrir essa caixa de Pandora. Os neurofilósofos são um exemplo claro disso.

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  7. Olá, professor, achei muito interessante a história e fiquei pensando na frase acima: "O que nos torna o que somos parece não flutuar no ar. Pode ser destruído junto com nossos lobos frontais", pode se dizer então que a alma está associada ao lobo frontal??

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    1. Oi Jéssica. De acordo com a neurociência, e pelas evidências que dispomos até o momento, a consciência (e a mente) são produto da atividade cerebral. Se alma é um sinônimo de consciência, então sim, ela surge pelo funcionamento do cérebro, e neste processo o CPf tem um grande destaque. Pelo mesmo princípio, a alma se extingue quando o cérebro para de funcionar. É o que temos até hoje.
      Bjs

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  8. Sou um novo anônimo e sei que esta discussão é velha, mas gostaria de deixar meu ponto de vista. No caso do Gage a alma dele não foi alterada, mas somente a ferramenta (cérebro). Não há destruição da alma, mas do processador mental. É como sonhar por exemplo, muda a realidade, às vezes entramos em realidades impossíveis em um sonho, porém estamos presentes.A alma é a presença, consciência é um produto desta vida e do cérebro.Seria como por exemplo, uma corrente elétrica que acessa um computador e seus circuitos. Então ela passa a ser ela mesma e o computador. Somos muito pequenos diante desta grandeza universal para que possamos afirmar que nada existe além da matéria.

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    1. Mas o que seria a alma então? Uma existencia sem consciencia? Energia cosmica? Ou, mais provavelmtbe, apenas atomos?

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    2. Oi Sophia. Alma é um conceito filosófico e religioso, mas não neurobiológico. A existência da alma como uma "substância autônoma ou parcialmente autônoma em relação à materialidade do corpo" é uma crença dualista. A neurociência trabalha com conceitos diferentes (consciência, mente, self...). Não existe nenhuma evidência testável de uma alma separada do corpo físico.
      Obrigado pela visita!

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  9. por que o acidente de Phineas gage pode ser considerado um exemplo ilustrativo do monismo ?

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  10. Meu ponto de vista:
    A ciência do século XXI não é mais evoluída do que a do século passado. Ao contrário, a ciência atual se fechou para qualquer possibilidade que possa pôr seus dogmas materialistas à prova e isto a torna pequena.
    "Infeliz é o homem cujo suas expectativas se limitam a este tempo".

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