sábado, 1 de setembro de 2012

E o Museu de Ciência vai para... Birigui?


Projeto de Museu de Ciência elaborado pelo
arquiteto Vasco Caldeira
Que surpresa! Quando tudo me fazia crer que a ideia de construir um museu interativo de ciência aqui em Araçatuba estava morta e enterrada, ela ressurge, não aqui, mas aí ao lado, em nossa vizinha Birigui. Quem se encarregou de ressuscitá-la foi o candidato Pedro Bernabé, quem divulgou nas redes sociais nossas frustradas tentativas de levar essa proposta adiante (ele como Diretor da FOA, eu como Coordenador do projeto) em três diferentes administrações araçatubenses.

Mas será que de fato agora vai? Depois de ler as propostas de governo de cada candidato nesta Folha, duvido, embora seria ótimo ser surpreendido.

Não que o projeto seja tão caro assim. Sem contar o custeio, prédio e recheio científico custariam aos cofres públicos uns três milhões de reais. Nada que algumas emendas parlamentares e parcerias com a iniciativa privada não pudessem conseguir. Cidades menores conseguiram.

Claro que uma ideia dessas exige governantes ousados. A ousadia que anos atrás teve a Prefeitura de Santo André, que com recursos próprios construiu a ótima Sabina Escola Parque do Conhecimento, e anos depois, como se fosse pouco, o melhor planetário digital do Brasil. As duas obras custaram umas vinte vezes mais que o museu que projetamos para Araçatuba.

Mas, como sempre, tudo é uma questão de prioridades, e não de dinheiro. Os dirigentes de Santo André devem ter pensado no futuro. Devem ter entendido que não adianta construir parques ou polos industriais se não são planejados dentro do contexto das Sociedades do Conhecimento.

Até que eles, nossos governantes -e mesmo nossa população-, não compreendam que os péssimos números da nossa educação não melhoram com os remédios de sempre, até que não percebam que precisamos inovar radicalmente a forma como educamos nossas crianças, o conceito de Sociedades de Conhecimento será apenas mais uma dessas utópicas ideias que muitos citam e poucos compreendem.

Sem isso em mente, a ideia de prosperar num mundo completamente dependente de ciência, tecnologia e inovação é inviável. Mesmo que gastemos muito formando mão de obra qualificada para atender a eventual demanda de novas indústrias, sem uma mentalidade de questionamento e investigação nossas crianças virarão trabalhadores especializados no presente, mas sem capacidade de acompanhar o cada vez mais vertiginoso progresso tecnológico. Junto com as novas máquinas, serão todos candidatos à rápida obsolescência.

Não que a criação de um museu de ciência venha a resolver todas as mazelas acumuladas em décadas de “má-educação”, mas com certeza seria um passo no sentido correto, como várias cidades no Brasil e no mundo já comprovaram.

Enfim, está aí senhores candidatos. Um projeto pronto, que além de contribuir no aspecto educacional, gera turismo e desenvolvimento econômico.

Semana da Ciência

Ainda sobre o tema do letramento científico, a UNESP e seus (ainda poucos) parceiros promoverá pela segunda vez a Semana da Ciência, aproveitando o evento nacional organizado pelo Ministério de Ciência e Tecnologia. A finalidade principal da semana é “mobilizar a população, em especial crianças e jovens, em torno de temas e atividades de ciência e tecnologia (C&T), valorizando a criatividade, a atitude científica e a inovação. Pretende mostrar também a importância da C&T para a vida de cada um e para o desenvolvimento do país.”.

No ano passado a UNESP promoveu atividades no campus da Odontologia e da Veterinária. Em dois dias recebemos mais de 2.400 crianças que tiveram a oportunidade de serem cientistas por um dia, tentando despertar assim todo o fascínio que a ciência é capaz de exercer. A demanda superou todas nossas expectativas, o que nos obrigou a dizer não a milhares de alunos. Para este ano, estamos conseguindo uma parceria mais efetiva junto com as Secretarias Estadual e Municipal de Educação, do SESC e alguns centros de ensino particular, e torcemos para que esta lista possa aumentar. Assim, será possível que com mais espaços o número de visitantes da Semana aumente consideravelmente.

Mantemos assim a esperança que a Semana da Ciência se transforme, quem sabe, em um dos mais importantes eventos culturais, científicos e, por que não, turísticos de nossa região.

Todas as informações constam no site da Semana da Ciência: http://semanadacienciaaracatuba.blogspot.com.br/ .

Aguardamos todos lá!

2 comentários:

  1. Acredito que existem outros mecanismos que podem ser utilizados, para que haja interesse do governo municipal em encampar essa ideia. Veja o exemplo dos jovens eskatistas de Araçatuba. Teve um começo para avançar o projeto da praça do Skatista. Um projeto de alto custo. Primeiro eles se organizaram. Participaram de uma reunião com assessores do executivo, que posteriormente foi levado ao prefeito, que se sensibilizou, não só com a proposta, mas seu alcance do ponto de vista das atividades esportivas e de lazer para a comunidade. Sinal verde, para desenvolver o projeto, com a participação de parte dos skatistas organizados e então, o anúncio do lançamento do projeto. A proposta do museu foi apresentada, ótimo. Os candidatos não se sensibilizaram?! Agora é partir para o plano B. Envolver mais segmentos da sociedade no interesse desse projeto. Sem articulação política, acredito que nenhum projeto vai pra frente. Para finalizar, quero dizer que visito regularmente seu blog. Boa sorte e forte abraço.

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    1. Oi Ronaldo, obrigado pela visita e pelo comentário.
      Entendo teu ponto de vista, mas há diferenças muito grandes entre os projetos. No caso dos esqueitistas, eles elaboraram um projeto que beneficiava basicamente a eles mesmos (sem desmerecer os objetivos do projeto). Nesse caso, a ação de convencimento sobre a autoridade pública é justificável e necessária. Há que convencer a autoridade que construir uma pista de esqueite é prioridade em relação a outra atividade de lazer ou esportiva.
      Já no caso do museu de ciência, o governo municipal deveria agradecer por alguém elaborar for free um projeto pronto de educação científica (que beneficia a totalidade da população, fundamentalmente crianças e jovens), uma prioridade das metas do milênio das Nações Unidas como caminho em direção às sociedades do conhecimento. Fizemos algo que seria obrigação dele, governo, fazer. Se não consegue se sensibilizar com um projeto desses, melhor fazer as malas...
      Abraço e obrigado!

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